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Escala em Doha à noite - Roteiro + FAQ

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Quando soubemos que faríamos escala em Doha, no Qatar, em nossa viagem para a Tailândia, rapidamente procurei no Google pra saber do que se tratava. Confesso, não tinha ideia do que era. Porém, assim que vi as fotos dos prédios enormes, associei imediatamente a Dubai. "Oh, então é uma mini-Dubai?".


"Quero".

O problema é que a escala seria de madrugada. Chegaríamos às 22h e iríamos embora para Bangkok às 7h da manhã. 9h de escala. Se é tempo de sobra pra encomendar um filho, por que não seria pra visitar a cidade?

A primeira pergunta que nos veio à mente foi: vale a pena sair do Aeroporto de madrugada para conhecer Doha? Resposta curta: sim! Vale muito!

Procuramos na internet informações sobre o assunto é simplesmente não achei nadinha. Então elaborei uma espécie de FAQ, ou seja, perguntas frequentes, feitas insistentemente por nossos internautas inexistentes, para ajudar quem visita esse humilde blog.

Antes de mais nada, agradeço a todos que fizeram parte dessa viagem: Bruno, Kennia (e Miguel), Fabio, Erim (e João Pedro), Hugo e Polly.

Visitamos no dia 23 de Janeiro de 2017.



FAQ:


Vale a pena visitar Doha, no Qatar, durante uma escala na madrugada

Sim, é muito lindo! Visite! O nível de ostentação da cidade é muito grande, chega a deixar tonto. E é legal ficar tonto. Não é só álcool que causa esse efeito.

Do que precisa? 
Só do passaporte. Desde Agosto de 2017, como se pode ver aqui, o visto está isento para viagens de até 30 dias, sendo possível prorrogar por mais 30 dias, caso necessário. Aproveite!

Que dinheiro eu levo? 
Dólares americanos e cartão de crédito internacional Visa ou Master.

E como fazer para se locomover de madrugada? 
Assim que você sai da área de desembarque, após a alfândega, há um balcão com uns caras oferecendo um tour pela cidade de carro. Eles cobram US$25 por carro por hora. No cash. Cada carro comporta 4 pessoas. Se estiver em grupo, sai barato. E é muito bom porque eles conhecem todos os pontos turísticos principais.

E táxi ou Uber, rola? 
Táxi não vimos. Já o Uber, sim, tem, mas daí você teria de arranjar um chip do Catar. Não conseguimos informação quanto a isso.

As coisas ficam abertas? Dá pra conhecer bem os lugares? 
A maioria dos estabelecimentos fecham à meia-noite. Porém alguns se mantém abertos na madrugada justamente para atender aos turistas madrugueiros. Na rua Souq Waquif, por exemplo, existem restaurantes que ficam abertos de madrugada.

As luzes da cidade sou eeeeu ficam ligadas durante a noite inteira, inclusive as dos famosos arranha-céus que são postais da cidade. Muitos dos museus e atrações ficam fechadas, porém iluminados e acessíveis por fora, e se você não conhece a arquitetura árabe, então vai se deslumbrar.

É seguro
Absolutamente. Nenhum sinal sequer perto de qualquer hostilidade.

Mulheres precisam usar burca? 
Não, inclusive numa propaganda da Qatar Airways sobre visitar Doha aparecem estrangeiras sem burca, então não é problema nenhum. Só acredito que valha a pena se vestir tampado, tanto homens quanto mulheres, até porque faz frio.

Qual é a temperatura? Frio ou calor? 
Fomos no inverno. Pelo menos na madrugada, reina o frio com um vento cabuloso. A sensação térmica é muito baixa. Lembrem-se, é deserto, e como tal a variação térmica é alta. Vá com roupa de frio. Se puder usar luvas, melhor ainda, foi no que eu mais sofri, minhas mãos queimaram de frio.

Não tenho tanto tempo de escala. Posso sair mesmo assim? 
Tem que tomar cuidado. Eu recomendaria se tiver mais de 5 ou 6h, para fazer um tour bem rápido de 2h. Mas vá por sua conta e risco.

Dá pra visitar o deserto? 
Sim, eles levam no deserto, mas não fomos.



Pois bem, vamos ao roteiro.


Roteiro

Assim que saímos do avião, caminhamos até a imigração, que foi bem tranquilinha. Bastou mostrar o passaporte. O visto eles não pediram, provavelmente já tinham no sistema, mas sempre leve impresso. Aliás, não pediram nada, não perguntaram nada, desconfiamos que as pessoas que trabalham na imigração do Qatar sejam mudas, pois nem um som fizeram.



Saímos da área de embarque e vimos um balcão, achamos que seria de informações, porém já eram os caras responsáveis pelo tour. Dissemos o tempo que tínhamos, que era bastante, e eles disseram que dava pra fazer um tour de 3h e, se quiséssemos mais, era só estender e pagar.

Nessas horas que eu digo que dinheiro pode até não trazer felicidade diretamente, mas pelo menos paga os passeios da trip. Se estiver descontente, pode me enviar um pouco que gastarei quando estiver em Dubai, e ainda cagarei ouro.

Então rapidamente ajeitamos tudo e em 15 minutos os dois carros chegaram (éramos 8).

A rua em direção à cidade possuía nos dois lados pilares coloridos e iluminados do início ao fim. Nelas estavam as escrituras sagradas do alcorão. Incrível isso, o poder da religião naquele lugar de tamanha riqueza.

Não me incomodei com a instantânea percepção de riqueza daquele lugar, porque também eu, veja só, sou rico. Aliás, tenho alergia de pobre. Não sei por que vivo sempre com alergia, mesmo que eu esteja em uma quarto sozinho. Estranho, não? Cacete, vamos ser sinceros. Eu me senti pobre pra caramba!

Parada #1: Museum of Islamic Art

 

Primeiro paramos no Museu de Arte Islâmica. Estava fechado, mas, como disse, todo iluminado, e com a parte externa toda acessível. É muito lindo e rendeu boas fotos. Sem contar que é um lugar com uma ótima visão dos prédios enormes, coloridos e iluminados de Doha.

Saí com uma jaquetinha super me achando o macho-alfa gostosão que não durou nem 30 segundos do lado de fora do carro sem que eu voltasse e pegasse uma blusa de frio. Doha fica no meio de um deserto, então, durante a noite, e ainda mais no inverno, como era o caso, o frio foi de, sério, fazer eu pensar que não teria mais minhas mãos. Pareço um reclamão, mas adoro isso.
Dica 1: assim que saímos do carro, o frio foi intenso. Todo mundo de casaco. Não se esqueça do seu.


Parada #2: Souq Waquif 




Essa foi uma rua toda ao estilo antigo árabe. Quer dizer, ela é antiga, de fato, não é só o estilo. Bem turística mesmo. A arquitetura tradicional está toda presente lá. Confesso que me senti em um filme.


As ruas, nas quais se anda a pé, estavam muito bem iluminadas e com poucos transeuntes, mas nenhuma sensação de perigo. A maioria das lojas fechadas, mas alguns restaurantes abertos, concentrados no centro da rua.



Decidimos comer no restaurante La Boca uns Mankouches, uma espécie de pizza árabe. Estávamos roxos de fome. Achamos que fosse ser rápido, mas demorou. Não era grande problema porque, como disse, poderíamos ficar mais tempo e o tour seria estendido, os motoristas ficariam nos esperando. Além do mais, estávamos aproveitando o clima árabe proporcionado pelo ambiente exótico até o momento inédito para todos nós do grupo.


Dica 2: Os Mankouches são enormes, não precisa pedir muito.



Parada #3: Orla de Doha


Paramos em um ponto da orla em que era possível ter uma visão diferente dos prédios coloridos. O frio reinava. Eram os White Walkers, galera. Eles ultrapassaram a muralha. Acabou. Não tem mais jeito. Boa sorte.

A orla é cheia dos coqueirinhos e em sua grande extensão possui calçadas para as pessoas andarem tranquilas. É muito agradável.


Parada #4: Prédios de Doha



Dessa vez, fomos para bem pertinho dos prédios. O motorista foi até muito legal e usou o farol do carro como se fosse um flash para que pudéssemos tirar fotos. Arrisco dizer que foi tão inteligente que nem consigo usar a expressão "quem não tem cão caça com gato". Acho mais justo dizer que ele caçou com um elefante. Que ideia boa!



Em direção ao próximo ponto, passamos de carro em uma das ilhas artificiais, que você pode observar nessas fotos tiradas do avião logo acima. Não dá pra perceber que você está em uma ilha artificial.

Gente, super graça quando observamos um morro em um determinado ponto. O motorista nos disse que era artificial. Nível de ostentação: "ah, a gente não tem morro... e isso é meio feio. Que tal a gente não fazer um só para a gente? OUR PRECIOUS!"

O motorista também nos mostrou algumas obras da Copa do Mundo de 2022. Sim, eles já estão se preparando para ela. Sem querer ter complexo de vira-lata, mas já tendo, e aproveitando da ironia: A situação é, como podem observar, idêntica à do Brasil.

Parada #5: Katara Cultural Village



Como se a gente já não tivesse visto coisa bonita o suficiente, ele disse que nos levaria a um Anfiteatro no Katara Cultural Village. Confesso que não levei muito a sério, mas quando chegamos lá foi assustador. Era um anfiteatro inteiro feito de mármore. Como podem ver pelas fotos, e não sei se percebem isso tanto quanto ao olho nu, mas é muito absurdo.





Ah, e esse fica aberto 24h por dia, ou pelo menos ficava quando o visitamos. Você pode entrar e conferir o seu interior!



E o que aconteceu a seguir foi estranho. Bem, às 5h da manhã, e de tempos em tempos, é o horário de rezar. E um som como o do vídeo acima indica a todos o momento de se ajoelhar, virar-se para Meca e rezar. Confesso que levei um susto e fiquei um pouco desesperado, pensando "oh céus, é este o fim de minha vida, morrerei, mas morrerei na cara da riqueza, com meu corpo estampado em paredes de mármore", mas é normal. Faz parte da cultura deles e demonstra a fé que possuem. A gente tem que respeitar.







Ah, e a Katara Cultural Village como um todo é uma graça.

Parada #6: Shopping Fechado Cujo Nome Eu Não Sei



Por fim, paramos em uma galeria fechada de cujo nome eu realmente não me lembro. Não me batam, eu não me lembro mesmo. 

Gosto de ser sincero. Sou um blogueiro medíocre que não anota direito as coisas que faz, e nem digo que é por gastar meu tempo aproveitando os ambientes de fato, pois tiro fotos a cada 10 milésimos de segundo. É a vida.

Obs.: nos comentários, a guia de turismo Leila Dienne me explicou: fica no The Pearl! 

Finalizando





Por fim, voltamos para o Aeroporto, pagamos os motoristas em dólares. No fim das contas, andamos por 4h. Foi ótimo e recomendo a todos. Passamos pela imigração para entrar no aeroporto e foi tranquilo como antes e aproveitamos para ver um pouco do aeroporto, que é enorme e sensacional.









Dica: Para mais informações sobre Doha, visite tanto o Instagram quanto o Facebook da guia de turismo Leila Dienne Martinez. Mora em Doha há 5 anos, então com certeza muita bagagem sobre o país árabe tão pouco conhecido. 


E não deixem de conferir o nosso vídeo da Tailândia!