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Cité de Carcassonne: O que fazer em 1 dia na cidade medieval no sul da França

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Castelo de Carcassonne visto de um banquinho próximo.
Visita ao Cité de Carcassonne, uma cidade medieval murada no interior da França de 2500 anos de história, contendo lindas ruelas e um belo castelo.

Sobre o passeio

Um dos meus grandes desejos é o de viajar no tempo. As teorias dessa pseudo-ciência são muito loucas e eu me amarro em ficar pesquisando sobre isso. Porém, de acordo com a Teoria da Relatividade, o que posso fazer com o tempo é contraí-lo ou dilatá-lo. Não se fala nada sobre voltar em algo que se move unidirecionalmente como um rio. Mas isso não significa que voltar no tempo seja impossível. Como um salmão que nada contra a correnteza, você pode se transportar para o passado visitando Carcassonne, na França.

Olha, fiquei sabendo desse lugar por causa de uma professora, a Helena, grande influência para nós. Quando ela soube que visitaríamos o sul da França, ainda que brevemente, ela disse que deveríamos pegar um tempinho para conhecer Carcassonne, pois era incrível. Obrigado, Helena! Realmente, foi a coisa mais legal de nossa viagem! Não deixe de visitar você também.



O vídeo acima é bem curtinho e mostro um pouco desse dia para vocês! Assistam! Vai ajudar muito a perceber a beleza incrível dessa cidade!

Nossa visita foi no dia 23/12/2017, na época do Natal.

Mini-Guia

O que é o Cité de Carcassonne? 

Carcassonne é uma cidade grande e normal, como várias outras do interior da França, com ruas, semáforos, carros, construções, lojas modernas e tudo mais, não fosse o fato de que ela possui uma incrível parte murada, que é o Cité de Carcassonne, ou a Cidadela de Carcassonne. Com suas ruelas charmosas e preservação única, foi precisamente onde a cidade começou. 

Ou seja, quando me referir ao Cité, me refiro à parte murada, localizada em uma colina.

Parte intermediária entre os muros de Carcassonne.
Andando pelo interior das muralhas.

São cerca de 2500 anos de história. A cidade passou por domínio de vários povos distintos, que ajudaram a fortificá-la cada vez mais. Em 1849, o governo cogitou derrubar as muralhas, mas a população foi veemente contra. Ainda bem, né? O negócio é legal justamente porque é murado! Desistiram da ideia pelo bem de todos e pela felicidade geral da nação, e, pelo contrário, resolveram restaurar o Cité. Isso fez com que, em 1997, se tornasse um patrimônio mundial da UNESCO, sendo uma forte atração turística francesa.

Como chegar em Carcassonne? 

Estávamos em Toulouse, e nossa visita a Carcassonne foi um bate-e-volta de trem. A viagem dura 42 minutos, bem rapidinha. Saímos de Toulouse às 08:56 e voltamos de Carcassone às 21:35, ou seja, deu para aproveitar bastante. 

As duas cidades mais próximas de Carcassonne com Aeroporto são Toulouse e Montpellier. Por meio de ambas é possível alugar um carro e ir até Carcassonne, ou então ir de trem. 

E para chegar no Cité de Carcassonne? Como faz? 

São várias opções:
  1. Andando: são 2km da estação de trem até o Cité, ou seja, 30 minutos de caminhada. É uma boa opção, pois não é tão longe assim e, de quebra, você ainda conhece um pouco da cidade fora dos muros.

  2. Ônibus: é só pegar a linha 4, denominada Cité Medievale. Basta sair da estação de trem, atravessar a ponte e o ponto de ônibus estará na esquina com a Boulevard Omer Sarraut. Há um painel que indica o momento aproximado em que o ônibus chegará, então você poderá calcular o tempo que falta para ver se compensa ir de ônibus ou a pé. O ônibus te deixa bem na entrada do Cité.

    Na época em que fomos, os horários do ônibus eram os seguintes: 07:33, 08:38, 09:44, 10:18, 10:50, 11:22, 12:08, 13:48, 14:20, 15:05, 16:13, 17:21, 18:25. Sujeitos a alteração.
  3. Táxi: segundo nos explicaram, eles existem, mas não vimos nenhum, nem do lado de fora da estação de trem! Então, não conte com eles.
  4. Carro: caso esteja de carro, é bem tranquilo. Tem lugar para estacionar, só não espere, claro, entrar na cidade medieval com seu possante, haha!
Visão da cidade além das muralhas.
Andar pela cidade fora dos muros é algo a se considerar.

Nossa opção foi o busão. Gastamos quase meia hora esperando por ele, e, como é meia hora andando até o Cité, teria compensado mais ir andando menos, mas estávamos cansados.

Para entrar no Cité de Carcassonne se paga? Precisa reservar? 

Não, é de graça, e, portanto, não se reserva nada. Ao menos quando escrevo este post. Mas existem atrações lá dentro que são pagas, dentre as quais o castelo e museus. 

Um bate-e-volta é o suficiente?

Para visitar o Cité de Carcassonne e alguma coisa no centro durante a noite, é mais do que o suficiente, já que há trens que chegam cedo e saem tarde. 

Confesso que, se tivesse tempo e oportunidade de me hospedar lá, ficaria na cidade para aproveitar o que a cidade fora das muralhas tem a oferecer.

Casal conversando dentro do Cité de Carcassonne.
Com um bate-e-volta, tive a oportunidade até de puxar assunto com uma moça bonita.

Qual é a melhor época pra visitar?

Qualquer época do ano é adquada para visitar a cidade, visto que as chuvas, que atrapalhariam e muito o passeio, são uniformes durante o ano. Contudo, considerar que, durante o inverno, é bem frio! Pessoalmente, gostamos de visitá-lo nessa época, pois estava bem vazio.

O que comer em Carcassonne?

O prato típico que você deve comer em Carcassonne é o Cassoulet. É uma sopa com feijão e alguns tipos de carne, seja de ganso, pato, cordeiro ou porco, ou até mesmo salsichas. 

Eu, pessoalmente, não sou muito fã de sopa, mas a Liliam, que gosta, achou o prato muito bom! 

Quase todo restaurante vai ter uma plaquinha na frente indicando que têm Cassoulet, tamanha é a tradição do prato na cidade. Escolha o seu favorito e vá! Nós escolhemos o Le Taverne du Chateau.

Um Cassoulet, prato tipo de Carcassonne, oferecido pelo restaurante Le Taverne du Chateau.
Este é o tal do Cassoulet, o prato tão típico da região!

Sobre nossa visita

Ida

Para informações sobre a ida, acesse a seção "Como chegar em Carcassonne".

Na entrada

Assim que chegamos na entrada da Cidade Murada, a magia do Natal já se mostrou forte! Várias árvores de Natal espalhadas.

A entrada é em formato de ponte, bem típica mesmo. Daquelas dos filmes, quando um personagem chega em um castelo, fala com um guarda no topo do muro e pede para abrir o caminho da ponte. Fôssemos ao passado e instalássemos um moderno sensor biométrico, tornando prescindivel a interação humana na situação, acusar-nos-iam de bruxaria — o destino certo seria a fogueira. Mas até que seria útil, não? Isso para casos em que o visitante vai em paz, claro. Os muros são para proteção, então não conseguia não imaginar as formas pelas quais um invasor conseguiria entrar em algo tão imenso e tão protegido, muito mais protegido do que meras cercas elétricas de hoje em dia! Negócio pesado, mesmo.

Muros do lado de fora do Cité de Carcassonne.
Este é o muro mais externo do Cité.
Como visitantes em paz da raça turista, destinados a injetar dinheiro em ambientes milenares, entramos.

Ruelas fofas 

Não apertei nenhuma ruela, mas, gente, mesmo sendo de pedra, elas são fofas. Assim que entramos, passamos pela rua principal, que, como todas as outras, são ruelinhas estreitas com curvas e comércios em seus cantos. 

Vestígios de modernidade estão presentes. Quando Liliam viu uma máquina de moedinhas, ela, com seu vício patológico nos tais souvenirs, já foi lá tirar uma logo na entrada! 

Walking Tour

Preço: 10 euros

Como o lugar é muito grande, fomos até o Centro de Turistas para procurar por informações. Chegando lá, descobrimos que havia Walking Tours pagos disponíveis em inglês, francês e espanhol. Começaria logo um em inglês, então resolvemos fazer. 

No Walking Tour, a guia nos levou para fora da cidade e explicou como foram feitos os muros. Explicou que a cidade é muito antiga e que esteve nas mãos de inúmeros povos distintos. Nota-se que a cidade possui várias camadas de muro, que foram sendo feitas ao longo do tempo de modo gradual. Por isso, observando os detalhes, dá pra ver que os estilos arquitetônicos são variados. Explicou sobre os aspectos tecnológicos da cidade — esgotos e técnicas de drenagem de água. Deixou claro que era uma cidade um tanto avançada para a época. 

É aí que entra uma diferença crucial entre eu e a Liliam. Tenho dificuldades de me concentrar em algo e sou hiperativo até demais. Liliam, por outro lado, é mais paciente nesse sentido. E ocorreu de a guia ficar tanto, mas tanto tempo explicando sobre os muros que eu comecei a ficar agoniado. Eu queria explorar a cidade e tirar fotos, mas a mulher não parava de falar sobre os muros! Tanto para ver, e ela, empolgada, visivelmente amando o que faz, não saía do lugar, haha! Acabei não prestando muita atenção aos detalhes a seguir.

Momento de sol no Cité de Carcassonne.
5 minutos de Sol. E foi tudo o que tivemos!
Depois, seguimos para dentro. E foi aí que o céu, que estava nublado, abriu do nada! Claro que ignoramos totalmente o Walking Tour e aproveitamos para tirar fotos e fazer alguns takes pro vídeo. Até porque nós tivemos incríveis 5 minutos de sol, incrível! 

Ela nos levou para uma região de plantações, e, depois, seguimos andando pelas ruelas incríveis até a Basílica de Saint-Nazaré, que estava em reforma, mas ainda permanecia visitável por meio de uma portinha escondida em sua lateral, que jamais encontraríamos se não fosse o tour. A Basílica é linda por dentro, bem rústica, com aquele cheirão de mofo, haha! O altar, infelizmente, não estava visível pela reforma. Destaque para uma estátua da mítica Joana D'arc, a Santa guerreira. 

Foi lá que o Walking Tour acabou. O veredicto é misto. Liliam adorou, achou super interessante, enquanto eu queria que acabasse logo para andar pela cidade livremente. Portanto, se você for um entusiasta por explicações minuciosas acerca do lugar que está visitando, compensa muito, pois a mulher explica tudo em detalhes, e o lugar tem muita história pra contar.

Interior da Basílica de Saint-Nazaré.
A Basílica de Saint-Nazaré é bela por dentro!

Andando por conta

Então seguimos o restante do tempo andando por conta pela cidade. Não tem segredo, você pode seguir um mapa disponibilizado pelo Centro de Turismo ou então o Google Maps, e ir explorando os pontos de interese. Foi o que fizemos, então. Tiramos muita foto, fizemos vídeos, passamos por lojas de souvenirs e, por fim, caçamos um lugar para almoçar o nosso Cassoulet, que foi o restaurante Le Taverne du Chateau

Castelo 

Preço: 9 euros

Bucho cheio, seguimos para o Castelo. Compramos os ingressos lá mesmo. A fila não tinha ninguém, mas era bem longa, ou seja, em época de alta temporada acredito que fique cheio.

Dentro do castelo, existem setas para que você siga o fluxo da visitação. Recomendamos que siga, do contrário vai passar pela saída sem perceber, como nos ocorreu (de sorte, conseguimos voltar pra dentro pela saída mesmo, não tinha ninguém vendo mesmo, haha, senão iriam questionar). Vai visitar os seus diversos pátios e salas, e também um museu de artigos medievais.

Pátio central do Castelo de Carcassonne.
Pátio central do castelo.
Compensa sempre olhar pelas janelas e conferir a paisagem. Em uma delas, há visão para a Basílica. Muito belo! 

Rola uma sensação muito louca de estar em um filme medieval. Eu poderia jurar que estava em um pátio de Winterfell, por exemplo (aiai que fixação por Game of Thrones...). Bom demais. 

Extra: Saindo da cidade murada e indo para o centro para aproveitar o Natal

Ponte Neuf

Depois de explorar o castelo todo, já estava ficando de noite, e queríamos muito visitar uma Feira de Natal no centro (fora dos muros). Seguimos andando mesmo. Passamos pela Ponte Neuf sobre o Rio Aude, de onde se tem uma visão fenomenal do Cité de Carcassonne.

Parquinho de Natal

Prosseguimos até o Espace General Bigeard, onde havia um parquinho de Natal. Isso mesmo, um parquinho de Natal simplesmente perfeito! Nossa, que boas lembranças! Um ambiente tão divertido, cheio de gente feliz, luzes e muita animação. Como eu queria que tivesse coisa do tipo no Brasil!

Entramos em alguns brinquedos muito típicos por lá. Primeiro, claro, o carrossel, brilhante, lindo, e de dois andares. Parece bobinho, mas foi divertido que só, além de romântico! Depois, entramos em uma árvore de Natal giratória - você entra dentro de uma das "bolinhas" da árvore e ela fica girando. Tem um botão que faz a bolinha subir e descer. Novamente, muito divertido! E, claro, não poderia faltar, entramos na roda gigante, que foi um grande destaque, porque, lá do tipo, se podia observar o Cité de Carcassonnne iluminado e imponente, incrível (chego a arrepiar só de me lembrar).

Parquinho de Natal em Carcassonne.
Melhor parquinho de Natal da vida!

Feira de Natal

Seguimos até a Place Carnot, bem no centro da cidade, para encontrar a feira de Natal mais linda da vida! Ela foi, de longe, a mais bem enfeitada da viagem inteira, e muito bem movimentada... O problema é que já estava fechando, uma pena. 7h da noite. Fecha cedo! Ela tinha uma pista de patinação bem grande no seu centro, com direito a uma estátua chique bem no meio e até a um palco com música! Mas já tinha encerrado. Que pena! Mesmo assim, boa experiência passar por ali.

Feira de Natal em Carcassonne, na Place Carnot.
Enfeitadíssima a feirinha de Natal. Amei demais!
Jantamos no restaurante Brasserie Le Longchamp, lá na pracinha mesmo. Sem querer, pedi um macarrão, e estava meio sem gosto.

E este foi o post sobre Carcassonne, espero que tenha apreciado!

Vídeo Musical




Temos um vídeo musical com várias e várias ceninhas em Carcassonne. O vídeo é curto, de apenas 5 minutos, e você vai adorar assisti-lo, pois não é entediante: dançamos por Andorra, Carcassonne e Toulouse ao som da música Love Will Come To You, da banda Poets of the Fall. Pode conferir!

Galeria de Imagens


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