Logo do S2Station
Background Padrão do Topo

Tour de Vinhos no Deserto do Atacama

Escrito por -

Tour de Vinhos no Deserto do Atacama. Visitamos a cidade de Toconao, a vinícola Santa Romina e vimos a Laguna Chaxa, no Salar do Atacama, ao entardecer.

O tal do Vinho de Altitude

Quando soubemos que se poderia fazer um tour de vinhos no Deserto do Atacama, a reação foi instantânea: quero! Quero muito! Adoramos vinícolas e, sempre que temos a oportunidade, estamos visitando uma. "Seus bêbados!", você diz, acusando-nos. Ah, se você não deu aquele rolê por vinícolas, experimente! Vai fazer bem pra tua alma.

Mas, peraí, vinícola no meio do deserto? Como é possível? Mal tem água nesse lugar, como vão nascer frutinhas, gente? E a 2.400m de altitude? Sério mesmo? É o que chamam de vinho de altitude. Em condições nada tranquilas ou favoráveis, eles se submeteram à ideia de se produzir vinho. A safra não é grande e eles não exportam a produção, mas é definitivamente uma provação! Parece uma coisa impossível, então a gente precisava desesperadamente ver isso, afinal, deu certo!

Ah, e é um ótimo passeio para fazer logo no primeiro dia, pois é um dos de menor altitude, o que significa que dificilmente passará mal. Neste dia, ao menos, não vai sentir aquela dor muito louca que lateja na tua cabeça fazendo a parecer que vai explodir e, logo depois, vaporizar-se por conta do sol. E, se der vontade de vomitar, foi porque tomou vinho demais. Te ajeita!




Veja acima um vídeo bem rapidinho de 1 minuto e meio sobre esse dia. Bem instrutivo e animado! Aposto que irá gostar. Vai ajudar a entender melhor sobre o Tour de Vinhos!

Nosso passeio foi no dia 31/03/2018.

Reservando o Tour

Pouquíssimas agências fazem esse passeio, não é muito comum. Como a oferta é pouca, foi o único que resolvemos reservar com antecedência. Contactamos a agência Araya, que nos ofereceu o tour por 35.000 pesos chilenos. Fizemos logo em nosso primeiro dia no Deserto do Atacama.

A agência é ótima e prestou um serviço de grande qualidade. Buscou-nos no horário certinho e teve o tradicional lanchinho ao entardecer pra encher bem o bucho, ficar fortinho e crescer. A van também é confortável. A guia era uma graça de pessoa!

Sobre o passeio

Itnerário



O itnerário do passeio é o seguinte:
  • Cidade de Toconao: a primeira parada é na cidadezinha de Toconao, bem pequena, contudo um tanto charmosa. A parada é especificamente na Plaza de Toconao.
  • Vinícola Santa Romina: visita-se uma vinícola local para, primeiro, conhecer o processo de produção dos vinhos, e, depois, fazer uma degustação.
  • Laguna Chaxa: um fenomenal pôr-do-sol na Laguna Chaxa, que fica no Salar do Atacama, comendo uns bons snacks.
Importante: tanto a cidade de Toconao quanto a Laguna Chaxa são visitadas, normalmente, nos passeios que as agências oferecem às Lagunas Altiplânicas. Não significa que você não deve fazer as Lagunas Altiplânicas, também, afinal elas são absolutamente incríveis! Porém, você vai acabar visitando lugar repetido. Isso não é problema, porque, no tour de vinhos, você conhece a Laguna Chaxa ao entardecer, que é sensacional, enquanto no passeio das Lagunas Altiplânicas você a conhece de manhã. E vale a pena conhecer nos dois horários, acredite em mim!

O que vestir?

Como todo passeio pelo deserto do Atacama, use roupas leves por baixo e leve casacos, pois faz calor durante o dia e frio ao entardecer.

Nosso passeio

Buscando em nossa hospedagem

Buscaram-nos em nossa hospedagem às 16h. Fomos um dos primeiros, então foram um tanto pontuais.

Licancabur ao fundo, imponente. Para os nativos, um deus. Para os turistas, uma beleza natural incrível!
Licancabur ao fundo, imponente. Para os nativos, um deus. Para os turistas, uma beleza natural incrível!

Dirigiram até Toconao. No caminho, avistamos, pela primeira vez em um tour, o Licancabur. Imponente. A guia explicou que ele era considerado deus pelos povos que ali residiam. Já comecei a não saber lidar com tanta beleza, e olha que a viagem estava só no início.

Aliás, guia muito simpática, mesmo!

Plaza de Toconao

A primeira parada foi na cidadezinha fofinha de Toconao em sua pracinha: a Plaza de Toconao. Muito básica, até lembra a estrutura de cidade do interior, mas ainda mais simples. Tem ate uma igreja! "Mas Igor, são construções mó detonadas, como você vai gostar de uma coisa dessas?", cala-te! Por ser assim, justamente, é bonito. Acredita em mim.

O Campanário de São Lucas na Plaza de Toconao.
O Campanário de São Lucas na Plaza de Toconao.

É uma parada bem rápida, 15 minutos. Mas, se em 15 minutos dá pra encomendar até um filho, o tempo dá de sobra. 

Demos uma voltinha pela praça, tiramos foto com o Campanário de San Lucas e no gazebo em sua frente, típico do lugar, e também observamos, por fora, a Iglesia de Toconao, que, infelizmente, não estava aberta.

Construções na Plaza de Toconao.
Construções na Plaza de Toconao.

A guia também nos explicou que as casas são feitas com um tipo de rocha vulcânica - a liparita -, muito útil: protege o interior tanto do calor do dia quanto do frio da noite. E, acredite, eles precisam disso! Atacama é um lugar em que você se torra e se congela no mesmo dia, é incrível.

O tal do cacto fálico.
Ah, foi lá também que a gente encontrou esse cacto com uma formato fálico muito suspeito. Resolvemos chamá-lo de El Pirocón.

Viña Santa Romina

Seguimos, então, para a Viña Santa Romina, que é o principal do tour. Assim que chegamos, fomos recepcionados por um outro guia, que nos mostraria o processo de produção dos vinhos.

Parreiras da Vinícola Santa Romina.
Parreiras no meio do deserto.
A vinícola é local, bem pequena e simples, a menor que já vimos, mas bonita, bem cuidada e tecnológica, eu diria. Vende vinhos sob o rótulo Ayllu, tal como todas as outras vinícolas da região, e, em troca do rótulo, recebem incentivo. Até mesmo o rótulo é simples: é padrão para todas as garrafas, e as especificações, tal como tipo da uva, gradação alcoólica, altitude de produção e ano de produção são escritas a mão.

Na época em que fomos já havia acontecido a colheita, mas, mesmo assim, ao andar no meio das parreiras, ainda se via algumas folhas e até algumas uvas bem murchinhas. As uvas ali produzidas estão entre pinot noir, syrah, malbec, chardonnay, petit verdot e moscatel. Bastante, não?

O poço de água da Vinícola Santa Romina. O água é drenada dele.
O poço de água da Vinícola Santa Romina. O água é drenada dele.

Logo, ele nos mostrou um poço de água, abastecido periodicamente, e este é o grande segredo para a produção dos vinhos: há um sistema de irrigação artificial que capta a água desse poço e goteja nas parreiras precisamente o que elas precisam para viver, dar bons frutos, gerar boas uvas que se transformarão em vinhos que trarão felicidade para o mundo, e, afinal, trazer a paz mundial! Por favor, alguém dá um prêmio nobel da Paz para quem resolveu fazer vinho no deserto com uma ideia tão boa.

Paineis solares na Vinícola Santa Romina.
As bombas d'água funcionam com energia solar. Sagaz, não? Não falta sol naquele lugar...

Bombas d'água para irrigar parreiras na Vinícola Santa Romina.
Essas são as bombas d'água para irrigar as parreiras.


Depois, saímos da região da vinícola e fomos para um lugar na cidade de Toconao onde eles fazem a produção do vinho.

Produção de vinhos na Vinícola Santa Romina.
É aí que são produzidos os vinhos.

Dica: cuidado com o teto das vans, são curtinhos. Quando fui entrar na van bati a cabeça no teto dela com força, daquele jeito assim como se tivesse pulando em uma piscina. Vi estrelas e pensei que era naquele momento em que eu morreria de traumatismo craniano. Sacanagem, eu queria ver estrelas bebendo vinho. As pessoas até começaram a rir, mas eu nem consegui! Foi foda. haha!

Por fim, voltamos na região da vinícola e fizemos a degustação. Um vinho branco e três tintos. Todos eles muito diferentes entre si. A gente gosta muito de vinho, mas, assim como a Glória Pires, não temos condição de opinar muito.

Degustando um vinho na vinícola Santa Romina.
Degustando aquele vinho dos bons! Observem o gelo na minha cabeça por conta da pancada, haha!

Resolvemos comprar um syrah porque tinha cheiro de azeitonas. Deixou-nos curioso porque não se tinha olivas em nenhum lugar por perto, e, mesmo assim, cheirava azeitona. Ele custou 15.000 pesos chilenos.

Dado que a produção é artesanal, não fazem muito e nem exportam. Teve um vinho que tomamos cuja produção anual foi de 80 garrafas. O nosso syrah tinha 951. Até é escrito no rótulo que a nossa garrava é a 87 de 951.

Entardecer na Laguna Chaxa

Liliam tava louquíssima para ver os flamingos, então a expectativa por esse finalzinho do tour era grande.

Lanche na laguna Chaxa.
O lanchinho oferecido pela Araya na Laguna Chaxa.
A Laguna Chaxa fica no Salar do Atacama. Pagamos a entrada e entramos. A guia montou uma mesa com petiscos muito deliciosos para comermos enquanto observávamos o cenário fenomenal. 

O lugar é basicamente composto por caminhos e você vai andando neles apreciando as paisagens e... OLHA OS FLAMINGOS FOFOS ALI VOANDO! AI MEU LICANCABUR! QUE LINDO! COMO A NATUREZA É BELA. Fotos, fotos, fotos!

Flamingo na Laguna Chaxa. no Salar do Atacama.
Flamingo na Laguna Chaxa. Lindo demais!

A ideia é andar tranquilo, tirar muita foto (porque o lugar merece) e apreciar. Lentamente, o sol vai se escondendo, e a vontade é de chorar, mas não chore não, aprecie, abrace a pessoa que estiver ao seu lado (nem fiz, foi mal Liliam) e curta.

A gente se enrolou tirando muita foto e fazendo muito vídeo, afinal de contas o lugar é lindo de MORRER, até que vimos a guia vindo em nossa direção. "Vai brigar com a gente feio", apostei. Que nada, ela perguntou se não queria que ela tirasse foto da gente. O que falar dessa guia que já conhecia há pouco, mas já considerava pacas?

Entardecer na Laguna Chaxa.
Que entardecer foi esse, minha gente?

Voltamos para a van, muito satisfeitos com o dia perfeito.

Entardecer na Laguna Chaxa.
Melhor entardecer do dia.

Outros posts no blog

Confira os outros posts no blog sobre o Deserto do Atacama. Muita coisa pra conhecer!
Salar de Tara
Nosso passeio de um dia inteiro até o Salar de Tara e aos Monjes de la Pacana, duas paisagens fenomenais do Deserto do Atacama.
Vale do Arco-Íris e Yerbas Buenas
Passeio de meio dia por um vale bem coloridinho e por um sítio com petroglifos, ou seja, desenhos em pedras... milenares!
Gêiseres de Tatio
Água borbulhante vinda da terra e um frio de lascar. O quão massa isso pode ser? Confira o post!
Termas de Puritama
Águas pra lá de quentinhas para relaxar gostoso em uma espécie de oásis no meio do deserto! Confira o nosso post!

Vídeos do Atacama no canal do YouTube


Não deixe de ver também os nossos vídeos no canal do YouTube sobre o Deserto do Atacama! Logo acima vocês podem conferir uma playlist com todos eles, tocando em sequência! São vídeos curtos, porém densos em informações, e vê-los faz com que saiba todo o necessário sobre os lugares. Confira!
Logo da S2Station